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18 de set de 2011

Mulher afirma ser despejada de casa pela Assembleia de Deus

Assim como no salmo 23, versículo um, nada faltou na vida do aposentado pernambucano João José de Farias. Com o salário de bombeiro hidráulico da Aeronáutica, ele comprou quatro terrenos e morava com a família em uma casa confortável no município de Abreu e Lima. Isso até decidir voltar para a religião. Ele doou seus bens para ajudar a Assembleia de Deus.

Com o dinheiro que restou, comprou um terreno na Rua Boa Esperança, no bairro de São José, e construiu uma casinha simples, há 22 anos. No terreno, na parte da frente, uma igreja foi erguida. Na última segunda-feira, as duas filhas de seu João receberam a ordem de despejo e têm até o próximo sábado para deixar o local. Elas afirmam que antes de morrer, há 17 anos, o pai teria doado o terreno à igreja. A Assembleia de Deus, no entanto, contesta a versão e afirma em nota oficial que comprou o terreno em 1972, muito antes da construção do imóvel.
“Sei que meu pai deu mesmo o terreno da casa para a igreja, mas não esperava que os pastores quisessem tirar a gente sem arrumar um outro lugar. Gostaria que vocês nos ajudassem”, desabafou a desempregada Rute Maria de Farias, 41 anos, uma das 12 filhas de Seu João. O idoso morreu aos 89 anos e, acredita-se, tenha doado a casa dois anos antes. A esposa, que faleceu há nove anos, não concordava com as atitudes do marido. Mas, para não contrariá-lo, acabava assinando os papeis para as obras de Deus, segunda as herdeiras. As filhas contam que o pai era agressivo e chegava a bater nelas quando era questionado sobre o dinheiro repassado.
Ontem, num ato de desespero, Rute ateou fogo em pneus na frente da rua onde mora para tentar chamar a atenção da imprensa sobre a situação. Ela, a irmã, uma prima e uma vizinha gritavam com cartazes que tinham a foto do pastor José Aílton Alves, responsável pela Assembleia de Deus em Pernambuco. Segundo Rute, os comunicados de despejo chegam desde 2005. Como ela e a irmã trabalhavam o dia todo na época, os documentos eram assinados por um irmão deficiente mental, que passava o dia em casa mas não comentava o assunto à noite. 
O lar das irmãs, únicas que permaneceram ao lado do pai e da mãe após a série de doações para a Assembleia de Deus, tem o muro compartilhado e, para ter acesso ao local, é preciso passar pelos portões da igreja. “A gente morava muito bem em Abreu e Lima, tínhamos um casarão. Cinco anos depois que meu pai morreu, minha mãe falou com o pastor José Alves. Ele prometeu que daria uma quantia de R$ 15 mil para que a gente pudesse sair daqui e comprar outra casa. Mas esse dinheiro nunca apareceu”, garante Elienai Farias, irmã de Rute. 
Elas afirmam que os pastores usaram de má-fé para convencer o pai a dar tudo o que tinha. “Por lei, a Assembleia de Deus tem direito ao terreno. Mas esperávamos mais consideração”, disse Elienai. Segundo ela, as tias chegaram a conversar com um pastor, que teria oferecido uma casa no Coque.“Ele disse que pobre mora onde dá. Meu pai fez tudo por essa igreja e agora eles viram as costas para nós”, contesta. O Diario foi até a sede estadual da Assembleia de Deus, na Avenida Cruz Cabugá, em Santo Amaro, tentar conversar com o pastor José Ailton Alves. Ele não estava no local e não retornou as ligações.
 Diário de Pernambuco|Pátio Gospel Noticias

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