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6 de set de 2011

Líder de igreja diz que frequenta o céu, mas é acusado de abusos sexuais


O Ministério Público do Estado de São Paulo está apurando denuncias de dezenas de fiéis da Igreja Apostólica de que elas foram abusadas sexualmente pelo líder da denominação, o irmão Aldo Bertoni, 85, que diz ser profeta e é chamado por primaz.


A igreja tem cerca de 25 mil seguidores e 200 templos em todo o Brasil. Foi criada há 50 anos por uma tia de Bertoni, a "santa" Rosa Alves. A sede fica no Tatuapé, bairro da zona leste de São Paulo.

Trata-se de uma igreja evangélica. Em seu site, ela diz que seu objetivo é "dar continuidade à obra de redenção e salvação iniciada por Jesus Cristo e seus apóstolos e também divulgar a doutrina do Evangelho do Reino dos Céus".

Aldo diz ter poder de cura e induz os fiéis a acreditar que ele faz visita com frequência ao céu. É venerado como se fosse enviado de Deus.


Encontros sexuais

Uma vítima disse que teve vários encontros sexuais com Aldo porque ele disse que precisava curá-la de um câncer no útero. Segundo ela, o religioso lhe falou: “Eu vou soltar algo que vai te curar”.

Depois de algum tempo, ela suspeitou de que o primaz estivesse blefando e fez exames médicos, que constataram não haver nenhuma doença.

Essa mulher foi uma das vítimas que falaram ao programa Domingo Espetacular, da TV Record, que dedicou parte do seu programa do dia 4 de Setembro ao caso. Ela não revelou o nome e só apareceu na penumbra porque seu marido ainda não sabe do abuso.

Após o programa ter sido apresentado, alguns fiéis criticaram as denunciante. Argumentaram que o bispo Edir Macedo, da Universal e dono da Record, tem interesse em desacreditar a igreja. “A Record foi odiosa”, disse Wilson Lemos que escreveu estar disposto a derramar o sangue pela igreja.


Relatos contundentes

A professora Claudete Pereira Leal, que mora em Porto Alegre (RS), costumava vir a São Paulo para pedir conselho ao primaz, até quando ele a abordou sexualmente. “Ele me beijou, beijou bastante e começou a passar a mão nas minhas pernas. Depois me abraçou de novo e tirou a minha calcinha e me mandou sentar no banco. Ele ficou de frente para mim e abaixou a roupa dele. Eu vi que aquilo não era normal, sai logo e vim para minha casa”.

De acordo com as denúncias, Aldo deixava as fiéis nuas e passava as mãos para purificá-las.

A dona de casa Cleodete disse que em 2008 procurou Aldo para pedir uma oração especial porque a sua filha estava com uma doença grave e ficou surpresa quando o primaz disse que ela estava com “uma dorzinha” em um seio. “Ele veio e colocou a mão no meu seio. Ai eu falei ‘mas eu não sinto dor nenhuma no meu peito”, e ele falou: ‘Sente sim’”. E ele começou a me abraçar, me beijar o pescoço, na boca, desceu a mão e começou a passar [a mão] em mim”. Segundo ela Aldo queria que ela largasse do marido e se tornasse amante dele. “Ele disse que ia me dar tudo.” A mulher nunca mais voltou à igreja.

Por ordem de Bertoni, as devotas são proibidas de usar vestido curto, maquiagem, batom, ruge, pinturas nos olhos e esmalte coloridos nas unhas. No site da igreja, há um longo texto sobre a “formação moral, espiritual e intelectual da família”.




Paulopes|Pátio Gospel Noticias

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